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MARÇO


saio de casa e em menos de cinco minutos, estou na ribeira. fecho os olhos... se alguma dúvida teimava em persistir, o som da água a cair, na pequena represa, devolve-me essa certeza que procuro. essa certeza que sou (somos) parte dessa natureza que nos envolve e que, por essa razão, tudo em mim (nós) é perfeito. 

com um pé na ribeira, sinto a paz que almejava e relembro-me algo que aprendi, há muito, muito tempo: a vida "não dá ponto sem nó".

então, o melhor que há a fazer, é respirar fundo, manter a fé e acreditar. porque, tal como o rio, necessitamos de ultrapassar obstáculos que a vida, tão sabiamente, nos proporciona, para nos fazermos grandes.


FEVEREIRO


morar aqui e tudo o que isso tem de bom. e tem cada vez mais.



JANEIRO


a certa altura, perguntaram-me como estavam as mudanças. e eis que, por instantes, fiquei em silêncio, com o olhar distante, bloqueado... apesar da palavra "mudanças" estar na ordem do dia, quer em casa, quer no trabalho, sinto que só ontem, naquele preciso instante, é que me apercebi dessa realidade.

e, de repente, senti-me estranha. se é verdade que me sinto entusiasmada com esta nova oportunidade, de iniciar uma nova história, numa nova cidade, é, de igual modo, verdade, que começo a sentir alguma ansiedade perante tudo o que essa mudança significa.

nesse dia, olhei o bairro com outros olhos. cada recanto, cada memória. e senti uma saudade que me apertou o coração.

lisboa sempre esteve aqui e sempre estará, eu sei. mas, creio que só demos valor ao que temos, quando o perdemos ou, no meu caso, ficamos longe.

a luz de lisboa, os eléctricos, o cais das colunas, os miradouros, o rio (o meu rio, que me embalou durante anos, nos tempos em que eu era hospedeira no nacional), o bugio. saudades do bairro de benfica que me viu crescer, o parque silva porto, a igreja de Nossa Senhora do Amparo, o monsanto, o jardim zoológico. saudades da marginal, de cascais e da sua baía. saudades da casa da guia, dos piqueniques na boca do inferno, do guincho e das suas dunas. saudades dos faróis. saudades de sintra... como eu amo sintra: o monte da lua, em noite de lua cheia... 

saudades da rotina diária: os beijinhos do sky, o pão quentinho do lidl, os batidos do ikea, o croissant de nutella da padaria portuguesa, o mercado de benfica...

de todos os meus amigos e familiares que ficam. minhas pessoas.

(sim, eu sei que sou péssima, no que diz respeito a reuniões com amigos e\ou família e que poderia estar com eles, mais vezes... mas, também sei que, apesar que estar pouco tempo como eles, a qualquer hora, poderei ligar e em minutos, poderei tê-los do meu lado  )

tanto que fica para trás... longe.

sim, eu sei que novas histórias me aguardam... mas, ainda assim... 

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