6.20.2015

{e da fé}


hoje é o segundo dia. depois de dois meses de dor forte, depois de mais de uma semana com dor insuportável. hoje é o segundo dia sem dor. é verdade que estou sob o efeito de medicamentos, tal como é verdade que, até sexta, nenhum medicamento acalmava a dor.

hoje dormi até às onze. um sono bom, calmo. voltei à cama, pelas três da tarde, onde estive hora e meia. não dormi, mas estava tão bem... o colchão já não estava recheado de pedras e o meu corpo sentia-se, finalmente, em paz.

durante estes últimos dois dias, tudo me parece agradavelmente novo. o trabalho, as tarefas da casa, cozinhar, brincar com os patudos, o jardim...

hoje sinto-me como se tivesse acordado de uma espécie de sonambulismo, no qual estive mergulhada, durante os últimos dois meses, onde a dor era a minha parceira, passo a passo, em cada hora, dia pós dia. noite após noite.

[por várias vezes, a palavra desistir pairou na minha mente. despedir-me do trabalho que me atiçava as dores, despedir-me da vida que insistia em ser madrasta. mas havia sempre uma voz que me dizia para aguentar um pouco mais... mais uma hora, até ao final do dia, até ao final da semana, até...]

hoje estou bem e sinto-me grata por isso. tão grata...

6.19.2015

{a vida é uma dádiva}



um jardim que nos foi oferecido, no momento em que nascemos. um jardim de terrenos por lavrar, que acolhe as sementes por nós semeadas, ao longo da nossa existência. e, ao longo dessa existência, a colheita faz-se, dia após dia. porque a vida é assim: um ciclo constante de plantio e colheita.

as sementes que a terra abrigou, germinarão, transformar-se-ão em frutos e cada um de nós, será o único responsável, pelo resultado dessa colheita.

para assegurar uma boa colheita, é essencial todo um trabalho de preparação e nutrição da terra, não esquecendo o estudo da qualidade da semente. é necessário, ainda, acautelar qualquer dano, que o clima possa causar.

não podemos mudar o que foi semeado, no passado. já colhemos – ou, ainda, estamos a colher – os frutos originados desse plantio.

podemos, contudo, começar do zero: preparar a terra, escolher a semente e zelar para que cada grão dê lugar a um dia-a-dia saudável, lindo, repleto de energia, emanando luz suficiente para iluminar tudo, ao nosso redor.

hoje, fui até ao meu jardim. decidi arregaçar as mangas e mexer na terra. não está a ser fácil… tenho encontrado muitos espinhos, originários de anteriores plantios. com cuidado, tenho conseguido retirar, um a um. de seguida e após fertilizar a terra, semearei novas sementes. diferentes, porque, estas novas sementes estão a ser escolhidas, cuidadosamente.

a partir de hoje, cuidarei deste meu jardim, que é a minha vida, como se fosse o meu bem mais precioso. porque o é. é a dádiva que me foi oferecida.

sou eu.

6.16.2015

(hoje acordei com tantas saudades tuas...)



lembro-me de me sentares ao teu colo. arranjavas-me o cabelo e colocavas-me cerejas vermelhas nas orelhas. chamavas-lhes brincos de princesa...

[porque eu era a tua pequena princesinha]

e eu ria risos de menina pequenina, feliz por ser a tua princesa, com brincos de princesa e tudo...

lembras-te avô?