5.30.2014

{dar tempo ao Tempo}



Encara cada dificuldade como um desafio.
Mergulha na tua Fé sempre que a dúvida te assaltar.
Resgata os melhores recursos que tens dentro de ti.
Não desistas [ nunca ] daquilo em que acreditas.
Respira fundo.
Dá tempo ao Tempo. 
E Confia.

5.29.2014

{e nunca, nunca perder a esperança...}


porque piora, eu sei... piora sempre, antes de melhorar. já passei por isto, tantas vezes. esta doença é assim, por vezes regressa e esse regresso é sempre muito complicado. mas, se os últimos 12 anos me ensinaram alguma coisa, foi que esta doença consegue controlada, de várias formas. o emocional, acima de tudo. se não for suficiente e se os medicamentos também não conseguirem dar resposta, resta-me uma última arma [que nunca me decepciona]: a dieta. hoje é o quarto dia. as dores parecem ter piorado... contudo, eu sei: piora sempre, antes de melhorar.

então, é dar tempo ao tempo. aceitar que durante mais alguns dias, irei estar como tenho estado nas últimas semanas ou um pouco pior. aceitar porque piora, é verdade... mas, principalmente, porque sei que depois da tempestade, posso contar, indubitavelmente, com bonança.

5.27.2014

{do mês que termina}


sempre gostei do mês de maio. porque é o mês em que eu nasci, mas não só...
Há em Maio qualquer coisa de maior, qualquer coisa de promissor [...] Maio é para mim um mês que torna tudo mais possível, como se as arestas da vida se limassem, como se mesmo o que não se realiza ou sequer se vislumbra estivesse já lá, inscrito na brisa morna, nos dias mais longos, nas noites mais serenas, na lua mais iluminada. Maio é este amor maior, o canto da rola a embalar o ar, a sombra e a luz em contraste indiscreto, o feno no campo, as floreiras a engalanar varandas, as andorinhas em voo picado, os manjericos que crescem, a sardinha assada, o pão saloio e o cheiro a brasa. Maio é este encanto, este render, este baixar a guarda, este abrir o peito ao vento e os braços à estrada. Maio sabe a começo de viagem mesmo que a seguir a ele o ano se divida ao meio. Maio sabe-me sempre a casa arrumada.

5.25.2014

| pausa. porque a vida é para ser vivida. todos os dias.


independentemente da necessidade de me entregar 200%, a este novo projecto que adoro, a vida ensinou-me que as pausas são, de igual modo, necessárias.

sou totalmente obcecada pelo trabalho. a minha vida sempre se regeu pelos objectivos da empresa para a qual trabalhava. eu não "vestia a camisola": eu "vestia o figurino" todo. e sempre tive muito orgulho disso.

vivia deslumbrada com a vida que levava, com a constante pressão para alcançar objectivos, com a ideia que conseguia fazer tudo... não obstante, olhando de outra perspectiva, comparo esse deslumbramento com uma adicção. não vivia dependente de estupefacientes... vivia, contudo, dependente da adrenalina, completamente adicta ao trabalho.

sem me aperceber, desenvolvia expectativas irreais, sacrificando todas as outras áreas da minha vida. como não via mais nada, para além do trabalho, a minha vida social, a semelhança da vida familiar, ressentia-se. simplesmente, não tinha tempo... e, sinceramente, também não sentia qualquer necessidade de afectos ou emoções. porque o trabalho supria todas as minhas necessidades.

tive o meu primeiro esgotamento em 2002 mas, como não aprendi a lição, voltei a ter um segundo esgotamento, por volta de 2010. não havendo duas sem três, no final do ano passado, passei pelo pior esgotamento de todos. o excesso de trabalho, as poucas horas de sono, a falta de descanso e os maus hábitos alimentares associados, tiveram as suas consequências.

síndrome de burnout, nome pomposo mas sem pompa nenhuma. foi muito difícil regressar ao "normal". o meu organismo necessitou mais de cinco meses para se recompor.

hoje, já começo a sentir-me melhor e com mais força... ainda com algumas sequelas, é verdade. o que importa, agora, é que a lição foi, finalmente, aprendida.

sinto-me preparada para este novo projecto. de novo, deslumbrada, sim... mas com prudência. muita prudência.

palavras-chave: moderação




5.24.2014

{bom fds a todos com muito ☼}


| a preparação de um projecto requer dedicação e entrega a 200%. este projecto, em especial, requer, ainda, muito estudo, muita pesquisa, muitos apontamentos... como sempre adorei estudar, só posso dizer que estou a apreciar cada momento que passo entre livros, cadernos e o meu pc. prestes a terminar o primeiro de muitos projectos, dentro dO projecto, só posso dizer que este fds está a ser muito, mas mesmo muito bom...

5.23.2014

{antes que tudo se transforme... sossega...}

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme. 
 Fernando Pessoa

5.22.2014

{vamos?}


Há fases em que tudo encaixa, tudo é redondo, perfeito, fluído. Nós andamos, progredimos e o mundo gira. Tudo é movimento!  Há fases que são fdp, em que nada acerta, nada se ajusta, tudo tem bicos, espinhos, degraus altos, pedras soltas, obstáculos intransponíveis. Ficamos estagnados e o mundo parece parar de girar para assistir ao circo.  É assim a vida, feita de fases. Não é novidade para nenhum de nós. Mas não é com frases bonitas, pensamentos profundos, construções filosóficas nem equações complexas que se resolve. É mantendo uma mão cheia de peças e outra cheia de vontade de dar luta que um dia tudo encaixa e as dificuldades se ultrapassam.  Por aqui, há muito tempo que se navega na segunda maré. Mas lá diz o povo, há mais marés do que marinheiros. E eu, além de acreditar na filosofia simples das coisas, sou mulher de Fé. Sobretudo em mim.

5.21.2014

{aguaceiros}


| nos últimos meses, as visitas ao hospital aumentaram, significativamente (principalmente, estas duas últimas semanas... têm sido uma verdadeira loucura). primeiro, eu. de seguida, a mãe. depois, o pai... agora, o pai e a mãe. porém, não consigo deixar de me sentir, genuinamente, grata. de todos os diagnósticos\prognósticos possíveis, os nossos têm sido sempre os melhores.

[chegada do hsm, rota e cheia de frio... vou para caminha. a mãe já está bem, felizmente - poderia ter sido muito pior. começo a pensar que os velhotes têm uma forma muito peculiar de se vingaram do trabalho que as filhas lhes deram ;) ] 

5.19.2014

{e tu?}



mas qual é o 'eu' que sobrevive?
aquele que as pessoas vêem,
ou aquele que eu julgo ser?

yukio mishima


ao longo dos últimos tempos, tanto que mudou em mim. a mudança mais considerável foi, sem dúvida, a maneira como eu passei a ver o outro.

a opinião dessa pessoa foi [sempre] essencial para mim. o que pensavam, como me julgavam. também me preocupava demasiado em ajudar este e aquele, fossem quais fossem as situações. eu vivia para ver\fazer os outros felizes... mesmo, em detrimento da minha felicidade.

hoje sei que estive errada, grande parte da minha vida.

os tropeções que fui dando, pelo caminho, ajudaram-me a perceber que essa não é a melhor maneira de viver. muito pelo contrário. viver em prol do outro, não é viver. é deixar que a vida passe por nós.


note to self:
primeiro eu...

não se trata de egoísmo. apenas, auto-estima, auto-preservação. tal como no anúncio: se eu não gostar de mim, quem gostará? e é isso mesmo.

todos podemos ajudar quem nos rodeia, aliás... devemos ajudar quem nos rodeia. contudo, primeiro temos que olhar para nós.

médico, cura-te a ti mesmo
(jesus)

há que fazer uma pausa. há que olhar para dentro de nós mesmos. há que tratar as feridas e deixá-las "ao ar", como diz a minha mãe. deixar que o sol e o vento fresco as beije, limpando-se, de uma vez por todas.
como fazer isso?

ao acordar, antes de qualquer coisa, agradecer. a vida, o hoje, o eu. a seguir: olhar ao espelho. e sorrir. amar quem está à nossa frente e dizer-lhe que sim, que confia plenamente em si.

as pessoas vivem [sobrevivem] cegas, como se num coma profundo. o sonambulismo tomou conta das suas vidas. acordam, trabalham, engolem comida, deitam-se, dormem... ou não.

a percentagem de pessoas com doenças mentais tem aumentado, consideravelmente, no nosso país. eu já fiz parte dessa lista de sonâmbulos que [sobre]viviam, arrastando-se pela vida. uma lista que cresce a cada dia que passa. cada cabeça, o seu motivo: família, finanças, saúde, trabalho...

e onde fica o eu? não fica.

se cada pessoa desse 5 minutos do seu tempo a si mesmo, muita coisa poderia mudar. cinco minutos à frente do espelho...

não é fácil. eu sei. eu vivia para o trabalho, para o outro... não sobrava tempo, simplesmente, não sobrava.

[até ao dia em que uma doença parou-me e deu-me todo o tempo do mundo]

levei muito tempo para perceber que eu estava errada. mas, o que verdadeiramente interessa, é que eu percebi que eu sou importante.

eu sou...

e se eu sou, tu és.

[de que estás à espera para te ires ver ao espelho?]

5.18.2014

{o que somos?}


| celebro, acima de tudo, a vida, o amor, a amizade. celebro o ar que respiro, o sol que me aquece, a água que me sacia a sede. celebro não só as vitórias como também, as derrotas que me tornaram mais forte. celebro o agora. celebro-te. celebro-me. 

5.17.2014

[re]erguer


sometimes the future changes quickly and completely, and we’re left with only the choice of what to do next. we can choose to be afraid of it, to stand there trembling not moving, assuming the worst that can happen or we step forward into the unknown and assume it will be brilliant. 
cristina yang
ontem, telefonaram-me para me desejarem os parabéns. 

no meio da conversa, comentaram que a vida não está nada fácil. falaram-me que o desgoverno do governo qualquer coisa, que a crise isto, que a economia aquilo e o desemprego não sei quê. não posso deixar de concordar que a conjuntura actual levou-nos a repensar a economia doméstica, a fazer ainda mais contas, a ser ainda mais criativos.

contudo, recuso-me a entregar-me a este sentimento quase global de que "não há nada a fazer" e recuso-me a dar tempo de antena ao desânimo e ficar ainda mais desesperada. até porque isso, não nos leva a, rigorosamente, lado nenhum. o governo não fica mais governado, a crise não desaparece...

ao invés de esperar que a economia mude, como quem espera um milagre, torna-se obrigatório procurar, tentar, criar, desenvolver... não havendo acção, não haverá movimento. a atitude, claro, complementará a acção: ver no agora, uma oportunidade de se pôr à prova...

antes da doença, eu tinha uma vida bastante confortável. esta manhã, comentava isso, com a minha irmã. algo, porém, mudou no meu pensamento. hoje, finalmente, apercebi-me que ter ficado doente, pouco antes da grande promoção da minha carreira, mudou totalmente, o rumo da minha vida... para melhor.

é certo que essa promoção traria benefícios - nomeadamente, financeiros - que acabei por nunca alcançar. não obstante, não teria passado por tudo o que passei até hoje, não teria sido obrigada a reerguer-me, não teria aprendido o que aprendi, não teria percorridos tantos caminhos diferentes, que me levariam onde me encontro, neste momento: perante O projecto [esse, sim] da minha vida.

demorei muito até compreender que as quedas - sejam elas quais forem - são necessárias. obrigam-nos à acção que, por sua vez, cria o movimento necessário ao auto-conhecimento e à verdadeira auto-realização.

quantos de nós não se acomodam à vida, só porque esta nos corre bem? a vida não quer acomodação, a vida exige animação, evolução, mudanças. a vida requer vida e merece ser vivida.

é demasiado complicado quando caímos. quando o rumo muda drasticamente, sem que tenhamos previsto ou estejamos preparados. eu sei disso. eu já estive lá. há que ter tempo para recuperar da queda, sim... mas, não podemos "lamber as feridas", eternamente e eis que restam duas hipóteses: continuar no chão, petrificados... ou decidir ir em frente, enfrentando tudo e todos. e ter fé. acreditar que sim: que estamos perante A grande oportunidade da nossa vida.

[a auto-comiseração e o medo não podem ser mais fortes que a vontade de viver...]


p.s.
ninguém irá fazer o percurso que cabe a nós, fazer. a vontade de mudar nasce em cada um e cada um terá de trilhar o seu caminho. assim sendo, quando nada acontecer, a culpa não será, obviamente, dos outros.

5.15.2014

{aniversário}


conheço pessoas que, simplesmente, não gostam de aniversários. a ideia de envelhecer, assusta-as. comigo, acontece o oposto. estive uma vida inteira à espera do dia em que completaria 40 anos. no ano passado, escrevi que, ao contrário do que charles péguy clama, os 40  não são uma idade terrível. muito pelo contrário: são a melhor idade [com a energia e a vontade dos 18 mas com a bagagem dos 40, ou seja, tudo o que a vida me foi ensinando].

um ano passou. hoje, completo 41 anos e continuo a acreditar que a vida assemelha-se ao vinho do porto. melhora com a passagem do tempo. não estou a afirmar, com isto, que a vida, para mim, se tenha tornado mais fácil, estou somente a constatar que eu, a cada ano que passa, sinto-me, cada vez, mais forte.

o ano que hoje termina teve um pouco de tudo: excesso de trabalho e ausência dele; a doença da minha mãe e o regresso da minha; um esgotamento e uma depressão; mudanças inesperadas, desavenças e tristeza... mas também teve momentos muito felizes. o melhor do meu ano foi, sem dúvida, a noticia da recuperação  incrível da minha mãe.

sim, posso dizer que o ano que passou foi complicado. olhando, contudo, para trás, sei que o que passei, teve um propósito e, o mais importante - a lição foi aprendida. porque a vida é assim: está constantemente a ensinar. caso não se aprenda à primeira, a vida encarrega-se de repetir a matéria dada...

o ano que hoje se inicia, traz com ele, um novo início. até há pouco tempo atrás, eu não gostava de novos começos porque via-os como derrotas. agora, acolho-os com gratidão porque poder recomeçar significa muita coisa... a mais importante de todas: estar viva. a vida é uma dádiva que nos é oferecida, diariamente, a cada acordar. e se existe uma nova oportunidade, que mais poderemos pedir?

este aniversário marca o início de uma nova etapa e não faço qualquer ideia o que o futuro me reservará. sei, contudo, que eu tenho um propósito: continuar a ser feliz.

palavras-chave: criar, desenvolver, tentar, procurar, experimentar, improvisar, melhorar e continuar.

sem nunca desistir.

um feliz ano novo para mim...

[e feliz ano novo para todos, porque cada dia, é um aniversário]

5.13.2014

{o futuro é hoje εїз }



| de mãos dadas e com fé [muita fé], deu-se o salto para o vazio. hoje, nas vésperas do meu aniversário,
chega uma [A] notícia: 


 εїз já começou εїз

5.10.2014

{dor crónica ou a crónica de uma dor crónica anunciada}


healing doesn't mean the damage never existed. it means the damage no longer controls our lives" Akshay Dubey

inspirar... expirar... dor crónica. a dor de hoje, de amanhã, de ontem. a dor de agora, de sempre, para sempre. foi assim, em criança. é assim, neste preciso instante em que escrevo. mas... [porque há sempre um mas], com o tempo tudo muda, até a dor. 

há algumas semanas atrás, a minha médica dizia-me, "parabéns. a susana conseguiu. neste momento, a susana não tem uma doença: a doença tem uma susana" e eu sorri. sim, eu venci. a dor de ontem, pode ser para sempre, mas só quando eu permitir que assim seja. 

aprendi que a dor [a doença] não passa de uma somatização de tudo o que se passa na minha cabeça. emoções negativas: tristeza, ansiedade, raiva, medo... tudo isto se traduz em dor. aprendi, também, que ao controlar essas emoções, a dor perde intensidade, havendo, assim, alturas em que desaparece e eu fico livre. e corro, e salto, e brinco e rio muito como uma criança... ficando a doença, por sua vez, ainda mais longíqua . 

contudo, ser saudável dá trabalho. 24/7 job, como se costuma dizer. manter-me sã, não é fácil. seria, se eu vivesse fechada num casulo, sem ver, falar, ouvir ninguém. viver em sociedade acrescenta a derradeira dificuldade a esse trabalho constante, que é tentar viver sem dor. 

palavras-chave: auto-estima, autoconfiança, autocontrole, força interior e atitude positica perante tudo, perante todos e manter-me numa vibração, o mais alta possível. 

não sobrevalorizar, não criar expectativas, estar sempre um passo à frente. e com um sorriso: jamais esquecer o sorriso. o sorriso é essencial ao processo da cura. mas não vale um sorriso nos lábios, quando todo o corpo pede que se fure os olhos ao tipo, que está à nossa frente. a ideia é não permitir, de modo algum, essa acumulação de emoções nada positivas, na minha mente, na memória das minhas células. o sorriso, por isso, será, obrigatoriamente, genuíno: nos meus lábios, nos meus olhos, em todo o meu corpo.

aprender a lidar com a tristeza, a ansiedade, a raiva e o medo passa a ser, então, uma prioridade, perante toda essa logística necessária, após um diagnóstico - seja ele, qual for. 

eu não sou caso único. tive o privilégio de conhecer pessoas que me inspiraram e me provaram que é assim mesmo. felizmente, somos milhões, por esse mundo fora... 

como escrevi acima, neste instante, estou com uma dorzinha irritante [um eufenismo necessário porque quanto mais atenção dispensarmos à dor, mais a dor reclama tempo de antena], na minha sacro-ilíaca direita. mas não faz mal. porque eu já identifiquei a origem e já estou a tratar dessa emoção que permitiu a dor regressar. 

é provável que se mantenha porque estou a passar por momentos menos fáceis, não obstante, na certeza que irei conseguir, novamente, voltar a ser livre. e correr, e saltar, e brincar e rir muito como uma criança :)

5.07.2014

{doentes vs normais}


- ou com as pedras do caminho, construirei um castelo

fui diagnosticada cerca de seis anos após o surgimento dos primeiros sintomas e, nesse momento, disseram-me que seria para sempre: crónica, a dor; degenerativa, progressiva e incapacitante, a doença. 

ao contrário do que a comunidade ciêntífica afirmava até há pouco tempo, a doença não afecta, somente, o indivíduo que foi diagnosticado, porque somos aquilo que aristóteles denominou como animal social. vivemos em grupo: tudo o que nos afecta, afecta o grupo. 

e, eis que a situação agrava, um pouco mais, uma vez que a sociedade tem esta tendência natural de se afastar da doença, talvez porque longe da vista, longe do coração, acreditando que, assim, estará de alguma forma, protegida. qualquer coisa parecida com uma espécie de fuga da realidade. e se não se vê, não existe. 

a exclusão social vem, deste modo, de braço dado com o diagnóstico. isto é tão certo como a morte, já a minha avó dizia. esta pode ser considerada, então, a primeira pedra no caminho de um doente - a juntar à cordilheira de problemas inerentes ao diagnóstico, propriamente dito. como se não fosse mais que suficiente, ter que aprender a lidar com a doença, o doente terá que aprender, obrigatoriamente, a lidar com o abandono e com a solidão. 

alguns doentes não sobrevivem. não estou a referir-me à doença, em si, mas às consequências sociais que daí, advêm. a exclusão mata mais que a pior das maleitas. todos sabemos disso. 

aos que sobrevivem, uma segunda pedra: regressar ao mundo dos normais, pode revelar-se mais desafiante que sobreviver à doença e/ou à exclusão social. 

a maioria dos doentes que conseguem, de alguma forma, debelar a doença, experimenta uma mudança de paradigma: tudo o que era visto de uma maneira, passa a ser visto de uma outra maneira, totalmente diferente. quem assiste, brinca com isso, insinuando, de uma forma jocosa, que o doente teve uma epifania. mas... é isso mesmo. simplesmente, deixamos de sobrevalorizar questões que, antes, nos fariam arrancar cabelos começando, por outro lado, a valorizar os pequenos prazeres da vida, como se estes fossem únicos.  
[triste, triste, é saber que que todos nascemos normais e precisamos de ficar doentes para aprendermos a transformarmo-nos nuns verdadeiros deslumbrados...]. 

falo no plural porque eu, como já referi acima, já fui doente. cientificamente falando, ainda o sou. sendo crónica, a doença é para a vida toda. até morrer, pelo menos. é o que a comunidade ciêntifica alega.

não obstante, passados dois anos do diagnóstico e após duras lições, sobretudo, de como lidar com a estupidez alheia (aprender a lidar com a doença, foi complicado, mas não chegou à sombra da dificuldade em compreender as reacções típicas do animal social), eis-me pronta para o tal regresso. ao mundo dos normais. 

a diferença entre o grupo dos normais e o grupo dos doentes é abismal: o grupo dos doentes luta, diariamente, para se manter saudável; o grupo dos normais procura, sagazmente, sarna para se coçar. obviamente, a certa altura, dá-se um confronto entre aqueles que já estiveram no fundo do poço e aqueles que querem, sabe lá Deus porquê, ir para lá... e, preferencialmente, acompanhados. 

para o grupo dos doentes, esta é, sem a menor sombra de dúvida, A Derradeira Pedra. maior que o desafio de enfrentar um diagnóstico, de aprender a lidar com a doença e com a dor, de ultrapassar mitos urbanos e a exclusão social, de regressar à vida activa... é tentar viver lado a lado dos normais (eita povinho difícil!!), mantendo-se sãos e salvos. 

quem passou por um diagnóstico (e tudo o que esse diagnóstico acarreta) semelhante ao meu, sabe que assim é, porque sentiu-o (e, ainda, o deve sentir) na pele. 

mas, tal como animais sociais que somos, também nascemos com um extraordinário poder de encaixe. e, se conseguimos sobreviver à dor... sobrevivemos a tudo. 

já conto com cinco anos, entre os normais e decidi optar pela construção de um palácio, em detrimento do castelo. o castelo tem muralhas altas e ameias apertadas e eu gosto de me sentir livre, rodeada de vida. εїз¸¸¸.

5.04.2014

flor[cr]escer

εїз e quando a lagarta pensou que o mundo tinha acabado, eis que se transforma em borboleta εїз 

a vida é uma dádiva. um jardim que nos foi oferecido, no momento em que nascemos. um jardim de terrenos por lavrar, que acolhe as sementes por nós semeadas, ao longo da nossa existência. e, ao longo dessa existência, a colheita faz-se, dia após dia. porque a vida é assim: um ciclo constante de plantio e colheita.

as sementes que a terra abrigou, germinarão, transformar-se-ão em frutos e cada um de nós, será o único responsável, pelo resultado dessa colheita. para assegurar essa boa colheita, é essencial todo um trabalho de preparação e nutrição da terra, não esquecendo o estudo da qualidade da semente. é necessário, ainda, acautelar qualquer dano, que o clima possa causar. 

não podemos mudar o que foi semeado, no passado [até porque já colhemos, ou ainda estamos a colher, os frutos originados desse plantio]. podemos, contudo, começar do zero: preparar a terra, escolher a semente e zelar para que cada grão dê lugar a um dia-a-dia saudável, lindo, repleto de energia, emanando luz suficiente para iluminar tudo, ao nosso redor. 

hoje, fui até ao meu jardim. decidi arregaçar as mangas e mexer na terra. não está a ser fácil… tenho encontrado muitos espinhos, originários de anteriores plantios. com cuidado, tenho conseguido retirar, um a um. de seguida e após fertilizar a terra, semearei novas sementes. diferentes, porque, estas novas sementes estão a ser escolhidas, cuidadosamente. a partir de hoje, cuidarei deste meu jardim, que é a minha vida, como se fosse o meu bem mais precioso. porque o é. 

é a dádiva que me foi oferecida. 

sou eu.

5.02.2014

hoje [por exemplo] escolhi ser feliz


perguntaram-me a razão da criação desta página, uma vez que tenho vários amigos em situação precária, que desconhecem como será o seu futuro e “viver o dia-a-dia com um sorriso é fácil, para quem não está a passar por situações iguais”. 

existem quatro razões pelas quais eu criei essa página: sempre é mais uma página, onde a emoção é positiva – e a emoção é a semente; porque eu preciso de me rodear de desse tipo de emoção; porque gostaria que todos os que me rodeiam percebessem como essa emoção pode melhorar a nossa qualidade de vida. 

cada um sabe de si e todos temos os nossos medos, os nossos problemas, as nossas aflições. não conheço ninguém que não se sinta como eu, a tentar equilibrar-me na corda bamba. a realidade do país vê-se e ouve-se, por todo lado. não obstante, acredito no poder da emoção, da inspiração. acredito que a qualidade da energia direccionada à situação que nos aflige, poderá ser meio caminho andado, para a sua resolução. acredito no poder da lei do retorno. acredito, sobretudo, na lei da intenção. 

de momento, sinto uma grande necessidade de encontrar a emoção positiva, em tudo o que me rodeia. é essencial para a evolução positiva da minha condição física; é essencial para que eu consiga ultrapassar todos os obstáculos, com que me deparo, profissionalmente; é essencial para que eu seja feliz. 

um pensamento negativo atrai outro pensamento negativo que, por sua vez, acaba por atrair outro pensamento negativo. a espiral negativa agrava-se, chegando a um ponto, que não sabemos como sair do meio da lama e, tudo o que vemos à nossa volta, não passam de ervas daninhas… [a qualidade da semente não foi, definitivamente, a melhor]. 

comigo foi assim. até ao dia em que decidi que bastava. não sei explicar como, contudo, uma força revelou-se em mim: e, a medo, avancei… e, a medo, consegui. porque a minha vontade de viver prevaleceu à lama e às ervas daninhas. 

todos os dias temos o livre arbítrio de escolher: o que queremos fazer, quem queremos ser. eu escolhi procurar, todos os dias (ainda que em alguns, a dor esteja presente ou tenha um problema, para qual não veja solução) uma emoção positiva, uma razão para o um sorriso. decidi que plantaria, sempre, sementes de boa qualidade. 

sei que assim, depressa a dor passará, sei que assim, depressa encontrarei uma solução para o tal problema. a quarta razão pela qual eu criei esta página, é porque gosto de companhia. e sei, que juntos, somos muitos. e muita energia positiva só poderá resultar em muitos sorrisos.

5.01.2014

[maior]idade


@ "Ribeira de Cheires", como a autora lhe chama. Rio Pinhão, o seu nome. 

Os 40 anos são uma idade terrível. É a idade em que nos tornamos naquilo que somos.
Charles Péguy   

há vinte e dois anos, alcancei a maioridade. não senti nada em especial nem nada de especial aconteceu. a vida continuou, tal com era, sem mudanças ou outros percalços. e assim se manteve durante mais de duas décadas. 

hoje, com quarenta, sinto-me como se, só agora, tivesse atingido essa, tão desejada, maioridade - atrasada, mas com direito a bónus: sinto-me com 18, mas com a bagagem [óbvia e, extremamente, necessária] dos 40. 

sei o que quero e aprendi que o posso ter - depende, somente, de mim; sei o que sinto e aprendi que cada sentimento - bom ou mau - a mim, o devo; sei para onde vou e aprendi que, para lá chegar, preciso de ser eu, a dar o primeiro passo. 

aprendi, ainda, que cada acontecimento é fruto de um estado de alma meu e, assim sendo, desisti de procurar culpados, nos que me rodeiam. aprendi a estar, permanentemente, atenta, de modo a escutar o meu corpo e o meu eu interior - verdadeiros aliados contra a doença física e psíquica. 

aprendi que sou eu que construo o meu caminho e, se me deparar com uma pedra, a responsabilidade é minha: fui eu que a coloquei lá e, consequentemente, terei de ser eu, a removê-la. 

aprendi que, antes de amar o outro, preciso de me amar in-con-di-ci-o-nal-men-te. aprendi a olhar-me no espelho. 

aprendi muito - e continuo a desejar aprender. 

sinto, por isso, que alcancei a idade maior. a idade em que me sei, finalmente, livre para para ser o quero, com a sabedoria que adquiri, durante quatro longas décadas. 

nestes últimos meses, já ri e já chorei. já fiz boas escolhas e já cometi alguns disparates. tudo, em consciência: a consciência daquilo que estou a fazer, a sentir, a viver... a consciência que só a bagagem dos 40, nos permite. 

uma espécie de acordar. olhar à minha volta, com mais sede e ver cada pormenor, com mais nitidez. 

agora, apetece-me tudo. à semelhança do que acontece aos "jovens" que completam os 18 anos, quero. e corro atrás. 

tarde? não. na hora. na hora certa. 


ps. os 40 não são uma idade terrível... muito pelo contrário: são a melhor idade.